"Esse é um assunto que eu quero falar desde o dia que iniciei o blog, devido a inúmeras perguntas que venho recebendo sobre pragas e doenças resolvi escrever. Vou passar aqui algumas práticas que eu obtive ao longo dos anos e também disponibilizar partes de artigos que encontrei de produtores de larga escala. As pragas e doenças não são um "privilégio" apenas de grandes produtores, amadores ou de colecionadores como eu, elas alcançam todos, independente da experiencia. Eu realmente espero que na sua coleção ou produção você não se depare com uma cochonilha ou vinte. Não sou a favor de uso de inseticidas mas também não sou contra, apenas acho que o uso deve ser evitado ao máximo e alternativas menos perigosas podem ser tomadas. Mais cedo ou mais tarde as pragas e doenças poderão ocorrer, normalmente isso está relacionado a condições incorretas de cultivo, quando bem cuidadas crescem e se desenvolvem perfeitamente, porém isso pode não ser fácil quando o crescimento de plantas em um determinado clima é diferente do ambiente natural, essas alterações são propícias ao surgimento das pragas e doenças. acredito que um exemplar doente e muito atacado por pragas de difícil combate deve ir pro lixo, sem muita piedade. Uma coisa é certa, pragas e doenças surgem quando as condições em que a planta se encontra não são ideais, seja por falta ou excesso de nutrientes, falta ou excesso de água, falta ou excesso de sol, etc. São tantos fatores que só conseguimos pegar com o tempo, analisando a evolução e desenvolvimento de cada planta".
Precauções:
- Se você possui uma estufa ou uma pequena coleção ao ar livre, alguns cuidados podem ser tomados para que as pragas e doenças não se espalhem. Assim que adquirir novos exemplares deixe-os em quarentena, depois que saem de viveiros (onde recebem condições ideais) vão para lojas ou outros ambientes que podem ser atacados despercebidamente e a quarentena é o período que ovos ou outras pragas tem pra eclodirem ou se manifestarem, então quando levá-los para casa não os misture diretamente com sua coleção.
- Replantio após a quarentena com substrato "esterilizado" pode ser uma alternativa eficaz, pois esse tipo de substrato ajuda a evitar a proliferação de fungos e pode matar ovos, larvas e insetos.
- A inspeção regular é outra alternativa eficiente, durante as regas é sempre bom fazer uma vistoria, pois um foco de pragas pode ser retirado antes de ser espalhado por toda a produção. A observação é forte aliada na saúde da produção, algumas plantas podem parar o seu desenvolvimento repentinamente, ou mudar características com coloração e enrugar quando não consegue absorver água, nesse caso as raízes podem estar infestadas.
- Regularmente fazer a "catação manual" de certos insetos.
- A higiene da estufa é importante, como remoção de flores e folhas mortas o mais rápido possível. Higiene das ferramentas utilizadas e de vasos reutilizados, estes devem sempre ser lavados com uma solução de água sanitária e água antes do replantio.
Muitas pragas comuns podem ser combatidas com inseticidas de uso sistêmico, sabões inseticidas de contato ou em alguns casos por predadores naturais.
Eu desaconselho sempre o uso de inseticidas, mas para fim informativo, os inseticidas sistêmicos são muito eficazes pois são absorvidos pela planta tornando sua seiva tóxica, quando pragas sugadoras se alimentam da planta com inseticida, acabam morrendo, porém normalmente são tóxicos ao homem também e muito prejudiciais, algumas crassulaceas não toleram inseticidas e podem até mesmo morrer ao minimo contato. Se você ainda assim não está convencido e quiser muito utilizar um inseticida na sua produção, utilize sempre os de baixa toxicidade, além de serem menos perigosos evitam que os insetos criem uma resistência e causem danos cada vez mais agressivos. Utilize sempre equipamentos de proteção individual e siga corretamente as instruções de uso.
Os sabões inseticidas de contato podem ser facilmente feitos em casa com receitas simples, e borrifados nas plantas, periodicamente/semanalmente por várias semanas, isso pode ser a parte mais difícil, mas funciona. Há algumas receitas mais fortes feitas juntamente com calda de fumo e já ouvi muitos elogios quanto a sua eficiência. O uso desses sabões inseticidas deve ser utilizado principalmente nos caules e nas raízes, há algumas suculentas que tem sua coloração modificada e perdem a sua cera protetora após o contato, porém sem danos maiores.
Alguns predadores naturais são muito eficientes como no caso das Joaninhas que fazem um controle biológico sem agredir a ambiente e muito menos causar algum dano a saúde dos humanos e animais.
Tenho utilizado ultimamente o óleo de Neem, borrifando as plantas nas partes atacadas, a vantagem que destaco desse tipo de controle é sua eficácia e ausência de toxicidade, também não modifica a coloração das suculentas. Seu inconveniente é o mesmo dos sabões inseticidas, pois dever ser borrifado periodicamente e com muita atenção na procura das praguinhas. Agora vamos as danadas.
Vou me limitar a escrever sobre pragas encontradas no Brasil e que eu já sofri para combater.
Cochonilhas:
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| São minúsculas cerca de 2mm. |
Cochonilhas são terríveis, cada vez que encontro em meio aos meus vasos fico furiosa, se você nunca viu ou identificou uma cochonilha ela se assemelha a um algodãozinho minusculo que ao ser esmagado solta uma meleca marrom avermelhada, acredite elas são utilizadas na indústria alimentícia para a produção de corantes, há diversos produtores de cactus apenas para comercialização de cochonilhas, quando você for comer um biscoito recheado procure nos ingredientes por corante carmim, são as cochonilhas. Encontradas nas partes mais sensíveis da planta em pontos de crescimento de folhas as axílas, logo abaixo do nível do solo e em raízes, ou abaixo de folhas secas mais velhas, ou seja infestam a planta inteira. São terríveis. Elas gostam principalmente dos berçários e das mudinhas novas, Echeveria perle von nurnberg (suculenta rosa) e Echeveria black prince (suculenta verde/marrom) são as que mais são atacadas aqui na minha coleção, já fui aconselhada por um produtor a utilizar óleo mineral (nunca usei) borrifando a planta infestada e a dica que ele me passou é que deveria cuidar com as regas, pois com regas demasiadas as cochonilhas aparecem.
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| Echeveria perle von nurnberg e Echeveria black prince. |
O primeiro sinal de um problema é quando surgem pequenas bolas de penugem branca que permanecem estáticas e nos caules próximo às folhas, a partir daí as folhas começam a murchar e apresentar manchas, pois estão sendo sugadas pelas cochonilhas, as plantas perdem o vigor e se tornam suscetíveis ao ataque de fungos, formigas podem ajudar a espalhar as cochinilhas, mesmo sendo nocivas é importante que você as mantenha longe de seus vasos. Em breve irei disponibilizar receitas caseiras.
Cochonilhas de carapaça:
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| Cochonilhas de carapaça cerca de 2mm. |
São encontradas nos caules e nas axilas da planta e abaixo das folhas, além de prejudicar a planta como a cochonilha branca, sugando sua seiva (e com isso ajudando na entrada de fungos) ela é mais resistente, pois possui uma carapaça dura ao seu redor que dificulta a ação de sprays e sabões inseticidas. Neste caso, produtos à base de óleo costumam apresentar melhores resultados por formarem uma capa sobre a carapaça do inseto impedindo sua respiração. O óleo mineral deve ser aplicado após a limpeza da planta, com cotonete (já li sobre limpeza de plantas com vinagre ou álcool desnaturado diluído em água 1:3 nunca experimentei nenhum desses procedimentos) deve ser borrifado semanalmente por várias semanas. A calda de fumo costuma dar bons resultados. Em breve irei disponibilizar receitas caseiras.
Caramujos:
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| Inimigo das suculentas em regiões úmidas. |
Em locais mais úmidos eles aparecem com frequência, mesmo que seu terreno tenha uma boa drenagem, em jardins de suculentas plantadas diretamente no chão, eles podem ser um problema sério. As suculentas carnosas são alvo fácil para os caramujos, nem os cactus espinhosos saem ilesos, quando os caramujos conseguem passar pelos espinhos consomem quase que totalmente. Podem ser extremamente destrutivos em produções e coleções, pois são muito rápidos e discretos, agem normalmente em períodos noturnos e são encontrados escondidos na parte inferior das folhas ou junto aos caules, alguns ficam enterrados ou escondidos nos espaços entre as pedras, por isso no dia seguinte você ainda pode se surpreender. A melhor estratégia para acabar com os caramujos é a catação manual que não é muito difícil, eles podem ser grandes medindo cerca de 3cms e os filhotes muito pequenos já fazem estragos definitivos nas suculentas também dever ser retirados. Há quem ache esses bichos bonitos e não queira matá-los então devem ser soltos em distâncias mínimas de 200 m, são criaturas territorialistas e podem retornar, eu não penso duas vezes, acho nojento. Há produtos específicos para acabar com essa praga (nunca usei e não sei como funciona), mas já usei algumas iscas que funcionaram bem pra acabar com esses invasores, pequenos copinhos ou tampas de garrafa cheios de chuchu picado ou com cerveja escondidos entre as plantas, acabam atraindo mais que as suculentas. As lesmas são tão nocivas quanto os caramujos e as iscas funcionam para elas também.
Uma grande variedade de doenças fúngicas e bacterianas podem afetar as plantas suculentas e cactus e são de difícil diagnóstico.
Fungos:
Fungos são diretamente ligados ao excesso de água se instalam por caminhos abertos pelos insetos para sugar a seiva a umidade excessiva é muito prejudicial e propicia o aparecimento dessas doenças fúngicas. São difíceis de identificar, pois se parecem com queimaduras na planta. Para salvar a planta, é necessário que se corte com uma faca limpa uma parte livre do ataque dos fungos para que esta possa ser replantada de preferencia em um substrato esterilizado e bem drenado, para evitar uma contaminação futura. A infestação sempre é maior do que as manchas aparentes, e apenas se a especie for muito valiosa vale a pena essa tentativa.
Bactérias:
Também são relacionadas com condições não favoráveis, condições essas que criam ambientes perfeitos para o surgimento de doenças, normalmente as bactérias são relacionadas a podridões moles nas plantas, diagnóstico difícil de ser realizado também.
Podridão basal:
Frio e solo úmido é uma combinação que pode causa podridão da base da planta, por isso as regas devem ser evitadas em e períodos de frio intenso. A planta deve ser cortada acima da parte prejudicada e dependendo da espécie replantada novamente, uma estratégia para evitar esse tipo de doença é adicionar uma camada generosa de areia acima da terra no plantio, evitando totalmente o acúmulo de água perto do caule.
Controle de regas, aplicação de fertilizantes, ventilação adequada, quantidade sol suficiente (mínimo de 4 horas diárias) ajudam a manter a saúde das suculentas, já que o aparecimento de pragas e doenças está relacionado às condições adversas sofridas pelas plantas.